Meses atrás em Mucuri, caminhava na areia e conversava descontraidamente com meu filho, ele aos 15 anos, tem a mesma certeza que os demais adolescentes, sabe tudo sobre como ser um adulto perfeito; e dedica-se com grande esforço a ensinar-me alguns truques para me dar bem sempre. Escuto-o com atenção, sem apegar-me às suas táticas, até sugestivas, confesso.
O fato é que após alguns meses, ele resolveu retornar ao convívio de Luanda, sua irmã de 11 anos, por quem tem grande apego, e que apesar das brigas, certamente vê maior probalilidade de sucesso nas suas idéias.
Afastados um do outro há um ano, ela aos dez anos telefonava-me:"pai não existe irmão mais chato que Juninho, quero distância dele". Detalhe, ele é até então, o único irmão que ela tem. Ele afirmava de forma cabal:"ela é uma ditadora, é melhor ficar distante, não quero esse tipo de influência".
Um mês depois do racha entre os dois, começaram os recadinhos e comentários:" fala para juninho que estou com saudades", "como ele está na escola", "leva um abraço para Lu", ''diz a ela que amanhã estarei aí em itabatã", enfim, após alguns meses perceberam que o desencontro de ideias entre os dois, nada tinha a ver com o amor mútuo que sentem.
Hoje posso assegurar que, apesar da confusão, nem tudo na cabeça de um adolescente é dúvida, eles precisam tomar desições sérias e delicadas, onde muitas peças soltas para o adulto, significa tudo que eles conseguiram juntar.